quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Sobre amor, rosas e espinhos

Pe. Fábio de Melo

O amor é equação onde prevalece a multiplicação do perdão

Amor, que é amor, dura a vida inteira. Se não durou é porque nunca foi amor.

O amor resiste à distância, ao silêncio das separações e até às traições. Sem perdão não há amor. Diga-me quem você mais perdoou na vida, e eu então saberei dizer quem você mais amou.

O amor é equação onde prevalece a multiplicação do perdão. Você o percebe no momento em que o outro fez tudo errado, e mesmo assim você olha nos olhos dele e diz: "Mesmo fazendo tudo errado, eu não sei viver sem você. Eu não posso ser nem a metade do que sou se você não estiver por perto".

O amor nos possibilita enxergar lugares do nosso coração os quais sozinhos jamais poderíamos enxergar.

O poeta soube traduzir bem quando disse: "Se eu não te amasse tanto assim, talvez perdesse os sonhos dentro de mim e vivesse na escuridão. Se eu não te amasse tanto assim talvez não visse flores por onde eu vi, dentro do meu coração!"

Bonito isso. Enxergar sonhos que antes eu não saberia ver sozinho. Enxergar só porque o outro me emprestou os olhos, socorreu-me em minha cegueira. Eu possuía e não sabia. O outro me apontou, me deu a chave, me entregou a senha.

Coisas que Jesus fazia o tempo todo. Apontava jardins secretos em aparentes desertos. Na aridez do coração de Madalena, Jesus encontrou orquídeas preciosas. Fez vê-las e chamou a atenção para a necessidade de cultivá-las.

Fico pensando que evangelizar talvez seja isso: descobrir jardins em lugares que consideramos impróprios. Os jardineiros sabem disso. Amam as flores e por isso cuidam de cada detalhe, porque sabem que não há amor fora da experiência do cuidado. A cada dia, o jardineiro perdoa as suas roseiras. Sabe identificar que a ausência de flores não significa a morte absoluta, mas o repouso do preparo. Quem não souber viver o silêncio da preparação não terá o que florir depois...

Precisamos aprender isso. Olhar para aquele que nos magoou e descobrir que as roseiras não dão flores fora do tempo nem tampouco fora do cultivo. Se não há flores, talvez seja porque ainda não tenha chegado a hora de florir. Cada roseira tem seu estatuto, suas regras... Se não há flores, talvez seja porque até então ninguém tenha dado a atenção necessária para o cultivo daquela roseira.

A vida requer cuidado. Os amores também. Flores e espinhos são belezas que se dão juntas. Não queira uma só. Elas não sabem viver sozinhas... Quem quiser levar a rosa para sua vida, terá de saber que com ela vão inúmeros espinhos. Mas não se preocupe. A beleza da rosa vale o incômodo dos espinhos... ou não.

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Fonte: fabiodemelo.com.br

Padre Fábio de Melo SCJ - é professor no curso de teologia, cantor, compositor, escritor e apresentador do programa "Direção espiritual" na TV Canção Nova.

sábado, 13 de outubro de 2007

A Semente!

(D. Pedro José Conti - Bispo de Macapá)

Sempre me perguntei: por que Jesus gostava tanto de usar o exemplo da semente para oferecer os seus ensinamentos? É o semeador que sai para semear. É o grão de mostarda que, embora muito pequeno, se transformará numa árvore. É o grão de trigo que, caído na terra, deve morrer para produzir frutos.


Até a fé, suficiente para arrancar uma amoreira e plantá-la no mar, é comparada, novamente, à pequena semente de mostarda. O que tem de tão extraordinário em uma semente? Esconde um segredo: o segredo da vida. Não é algo que vem pronto, nas suas dimensões e nas suas cores. Não é um produto acabado que se pode, ou não, comprar.


Uma semente é um projeto. Um projeto escondido.. Precisa que alguém acredite, confie, tome cuidado, gaste tempo e carinho. Pode dar muito fruto, como pode não dar em nada. Mas a semente, plantada em terra boa, com a chuva no tempo certo, não vai falhar.


Tenho a impressão de que, hoje, estejamos correndo o perigo de esquecer o segredo da semente. Temos pressa demais.


Por que cozinhar, se já vendem comida pronta? Por que esperar se, correndo, chego antes? Por que perder tempo para pensar, se já me oferecem a resposta antes mesmo que eu formule a pergunta? É verdade que algumas coisas facilitam o nosso dia-a-dia, porém muitas vezes perdemos a poesia do crescimento.
Custa e traz angústia a lenta aprendizagem. Todos precisamos de tempo para aprender. Se a semente desenvolve e ganha em solidez, nós, os humanos, ganhamos em segurança, auto-estima, caráter. É verdadeiramente nosso, somente aquilo que aprendemos aos poucos, caindo e levantando, errando e acertando, como quando começamos a andar e a falar.


A pressa nunca foi boa conselheira e nem boa professora. Hoje, por culpa de nós adultos e da sociedade estressada que criamos, as crianças querem queimar etapas. Se vestem como jovens e acham que podem agir como adultos. Poderiam curtir mais a infância. No entanto, nós, adultos, não deixamos. Nós temos pressa.


O segredo da semente está, portanto, no fato de ser um projeto que está sendo construído. Aos poucos, vai se formando, tomando corpo, está sempre em movimento. Um pequeno passo por vez, com mais uma meta à sua frente para alcançar.


Também projetos não faltam na nossa sociedade. Mas, às vezes, chegam grandes demais. Começam de cima para baixo. Querem que as pessoas corram, quando mal sabem engatinhar.
Conheço um homem que vendia espetinhos na rua. Demorou anos, e hoje é dono de bom um restaurante. Outro, fez um grande empréstimo no banco e abriu logo uma pizzaria. Rapidamente teve que vender até a casa para pagar a dívida.. Quis logo a árvore, em vez de plantar uma semente e acreditar que ia crescer. Não deu certo.


Por isso Jesus ensinou que o seu Reino é como uma semente. É bom, é necessário, que comece pequeno. Porque começa lá, no fundo do coração de cada um. Começa com um bom sentimento, depois com uma certeza. A certeza se transforma em decisão; e a decisão muda a nossa vida. A decisão é um exemplo de coragem e o exemplo é sempre contagiante.
Assim, o Reino cresce e ninguém consegue contê-lo. Não vem para dominar, mas para libertar. Não cresce para sufocar. Espalha os seus ramos para acolher a todos com a sua sombra, como uma árvore frondosa, cheia de folhas, flores e frutos, tudo no tempo certo. Quem teria pensado? A semente era tão pequena! A fé não precisa ser grande, basta que seja verdadeira.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Vivo seja teu nome esculpido...

No dia 03 de outubro Barra Mansa completa 175 anos com orgulho de seu passado e trabalhando para construir um futuro melhor para seus moradores. A história do município começa no final do século XIII, quando se tornou passagem para imigrantes na época das minerações. Depois, foi decretada a criação do município, que ainda tinha a condição de Vila. Em, 15 de outubro de 1857, Barra Mansa finalmente é elevada à condição de cidade. E, este ano, ela comemora 150 anos de elevação de vila à cidade. O município possui atualmente cerca de 200 mil habitantes e 547 quilômetros quadrados. Por cada esquina, se vê as marcas da evolução da cidade e se percebe o quanto ela ainda pode crescer.


"Vivo seja teu nome esculpido. No granito das rochas sem par. E por todos co'amor repetido. Com preces diante do altar! Cada lábio o murmure e um hino. Ele seja e o suave penhor. Dum afeto tão grande e divino,Tão sublime e mais puro que o amor!
Barra Mansa! Barra Mansa! Glória a ti! Hosana mil! Lembras suave esperança. Num recanto do Brasil!
Tua glória, fulgindo brilhante. Com mais vivo fulgor e mais luz. Repercute no vale distante. Vai além desses céus mais azuis! Vai além desses montes e fala. Da existência de um povo a lutar. Do teu povo feliz, que se iguala aos titans no feroz batalhar!
Barra Mansa! Barra Mansa! Glória a ti! Hosana mil! Lembras suave esperança. Num recanto do Brasil!
O teu nome também nos recorda. Um murmúrio suave, um perdão. Um carinho que terno transborda. De teus filhos no teu coração! Ele lembra também a meiguice. À beleza, a grandeza moral. Das mulheres que tens, a ledice. À pureza sem par de Vestal!
Barra Mansa! Barra Mansa! Glória a ti! Hosana mil! Lembras suave esperança. Num recanto do Brasil!
Do criador, já a mão justiceira. Teu destino no tempo traçou...Barra Mansa, serás a primeira. Pelos bens que o Senhor te doou! Cada etapa vencida em peleja. Traga sempre uma glória melhor. Uma glória mais santa e que seja. Entre todo o triunfo o maior!
Barra Mansa! Barra Mansa! Glória a ti! Hosana mil! Lembras suave esperança. Num recanto do Brasil!"


Fotos de Barra Mansa


Igreja Matriz de São Sebastião


Gare da Estação


Palácio Barão de Guapy

Ponte sobre o Rio Paraíba do Sul

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Aquele abraço...

"Quando for me abraçar
me dê seu abraço mais puro e sincero,
pois nele verei o quanto me ama."

(Evellyn Heloiza Dourado de Morais)

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Alegria do Perdão

(Mariana Ribeiro)

Uma vez, uma pessoa me perguntou:
- O que é mais importante, perdoar ou pedir perdão?

- Ambos. - respondi.
- Mas, em que consiste o perdão? - indagou-me novamente.
E, carinhosamente, olhei para esta pessoa e disse:
- Consiste em saber amar.
E, sem entender muito bem, perguntou-me de novo:
- Amar? O que tem o perdão a ver com amor?
- Todo coração que ama é capaz de perdoar e de pedir perdão. - disse-lhe.

Por mais que um erro tenha machucado um coração, o amor é capaz de apagar todas as mágoas e curar todas as feridas. O amor é base de todo relacionamento, seja ele entre pais e filhos, irmãos, amigos, parentes, namorados, noivos, marido e mulher...

"Quem pede perdão mostra que ainda crê no amor.
Quem perdoa mostra que ainda existe amor para quem crê.
E, não importa saber qual das duas coisas é mais importante.

É sempre importante saber que:
Perdoar é o modo mais sublime de crescer ...

E pedir perdão é o modo mais sublime de se levantar ..."

domingo, 23 de setembro de 2007

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Silêncio e Palavras

(Pe. Fábio de Melo)

... Não diga as coisas com pressa. Mais vale um silêncio certo que uma palavra errada.

Demora naquilo que você precisa dizer. Livre-se da pressa de querer dar ordens ao mundo. É mais fácil a gente se arrepender de uma palavra que de um silêncio.

Palavra errada, na hora errada, pode se transformar em ferida naquele que disse, e também naquele que ouviu. Em muitos momentos da vida o silêncio é a resposta mais sábia que podemos dar a alguém. Por isso, prepara bem a palavra que será dita.

Palavras apressadas não combinam com sabedoria. Os sábios preferem o silêncio. E nos seus poucos dizeres está condensada uma fonte inesgotável de sabedoria.

Não caia na tentação do discurso banal, da explicação simplória. Queira a profundidade da fala que nos pede calma. Calma para dizer, calma para ouvir.

Hoje, neste tempo de palavras muitas, queiramos a beleza dos silêncios poucos ...